DEPOIMENTOS

O senhor não tem ideia como ela está faltando melhor, agora ela fala com todos aqui em casa antes ela falava praticamente só comigo. Eu estou muito feliz porque estou vendo que ela está feliz. Ela já sabe os dias da semana, estou orgulhosa da minha filha. Estou muito grata ao Sr. por nos ajudar tanto, deixando nossa filha mais feliz.

Meu nome é Cintia, sou pedagoga, pós-graduada em psicopedagogia Institucional e Clínica, Formada em Direito e venho me especializando em Educação Inclusiva. Mas o título que mais me causa orgulho mesmo, é “Professora”, minha verdadeira paixão.

Eu cheguei até a DB, na busca de respostas para uma coisa que até então para mim era um segredo bem guardado: Qual é a receita do sucesso em alfabetizar pessoas com deficiência intelectual. Na época eu dava aula para EJA (Educação de Jovens e Adultos). Já era para mim, um desafio imenso, alfabetizar esse público, pois minhas turmas eram formadas em sua maioria, por idosos e jovens desacreditados pelo sistema educacional.

Então um dia chegou à minha sala um rapaz tímido, mas muito empolgado para aprender à ler e escrever – (palavras utilizadas por ele), carregando um diagnóstico complicado: “DOENÇA MENTAL LEVE”. Na hora me veio na cabeça: “O que isso quer dizer?”

Eu já tinha estudado na FACULDADE Autismo, Paralisia Cerebral, SD… mas quando eu digo estudado, eu quero dizer que li sobre os conceitos.

Bem, meu aluno estava ali, queria aprender, ele tinha o direito, e eu a obrigação de proporcionar seu desejo.

Nos primeiros dias ofereci algumas coisas para ele copiar em letra bastão, depois sentei com ele e pedi que lesse o que escreveu. Constatei que ele era um excelente copista com uma absurdamente linda letra cursiva. Mas não tinha ideia do que era aquilo.

Próximo passo ofereci para ele atividades que costumava oferecer às crianças do primeiro ano. Aquilo não fazia sentido para ele, e para dizer a verdade, nem para mim!

Enquanto eu experimentava ações com ele, em paralelo fui estudar, me matriculei em cursos, devorava leituras sobre o assunto. Eu tinha um compromisso com ele: Ele desejava ler e escrever, e eu disse que faria isso.

Buscando aqui e ali, conheci o Fernando que me contou que alfabetizava pessoas com SD. Ele me disse que seus alunos produziam texto. (Nesse momento, torci para que ele me desafiasse a pagar para ver, porque talvez fosse essa a receita que eu precisava para cumprir minha palavra). E ele me convidou para assistir um dia de aprendizado com o Gabriel.

Eu fui, depois de duas horas de viagem, cheguei e conheci o Gabriel, um adolescente desconfiado, mas muito simpático e sorridente. Na época o Gabriel já conhecia todo o alfabeto e estava se apropriando das sílabas.

O Fernando, que já sabia do meu desafio, pediu que eu assumisse a regência numa atividade muito corriqueira: O Gabriel tinha que pegar um lápis de cor azul e pintar uma latinha de tinta, e eu o fizemos, com muita confiança, pois já lecionava há alguns anos, aquilo seria “Mamão com açúcar”!

Dei a comanda umas três vezes e o Gabriel ficaram apenas olhando para mim, como se eu estivesse falando em outro idioma.

Virei-me para o Fernando e disse, acho que ele não compreende o que é para fazer.

O Fernando ofereceu a mesma comanda, de maneira levemente pausada, e fragmentando ação por ação.

“Pegue o lápis azul, e agora pinte a lata de tinta.”

Aqui começou meu aprendizado, e minha outra não menor paixão: aprender a ensinar pessoas com dificuldades. E essa é uma tarefa que nunca acaba Graças a Deus! Pois a alegria que minha alma sente a cada pessoa que obtém uma conquista, é imensurável!

O Gabriel é um adolescente muito divertido, que me conquistou sem muito esforço. Depois que ele me ensinou seus talentos, aprendemos muito juntos, rimos muito também, porque ele adora fazer uma graça, e descontrair o ambiente, mas sempre dosando o riso com a seriedade exigida pelas aulas. Nós comemoramos cada conquista com muito entusiasmo… o mesmo que ele apresenta ao desenvolver as atividades. Palmeirense incorrigível (já que sou corintiana), tem sempre uma novidade do Palmeiras para me provocar.

O educando da EJA começou a se desenvolver, aprendeu a ler e escrever palavras isoladas, aprendeu a calcular, e ainda estava no processo para alcançar seu desejo pleno, e o melhor de tudo: Estava feliz com suas conquistas.

No ano seguinte fui removida para trabalhar com creche, como era nova no seguimento, ninguém ousou me dar desafios que não tinham certeza que eu daria conta, mas continuei acompanhado o Fernando com o Gabriel, logo depois, conheci a Larissa Vitória, Minha querida VI.

A Vitória é a gentileza personificada. Nunca conheci alguém como ela. Trata todos a sua volta com tamanha delicadeza e cuidado, como se já os conhecesse há anos. É uma pessoa muito talentosa e responsável. Traz para mim grandes desafios e aprendizados, mas cada conquista sua é um balsamo para mim, me traz uma energia revigoradora.

Depois veio o Lucas, com quem já aprendi um pouquinho, mas é alguém que tem muito a me ensinar, pois ele é, assim como o Gabriel, uma pessoa ímpar, inteligentíssimo e sagaz, que traz para mim um desafio a ser desvendado e muita vontade de aprender. Quem atua de fato com ele é o Fernando, eu fico apenas de telespectadora, porque ele já é um velho conhecido do Fernando, e o vínculo entre eles é muito produtivo. Então, eu apenas assisto e aprendo. Na verdade, o que está dificultando nossa criação de vínculo é a distancia que as aulas online proporcionam. Mas é delicioso conhecer as conquistas do Lucas.

E por fim, a Bárbara chegou tímida, calada, insegura, mas com muito charme e encanto. Também aprendo muito com a Bárbara. Assim como a Vitória, é de uma educação e delicadeza encantadora. Sempre muito atenta ao que lhe é ensinado e também ao que lhe é solicitado. Organizada, dona de uma linda caligrafia e caprichosa, seu caderno é impecável. Como é muito esforçada, tem avanços significativos em curtos espaços de tempo.

Uma exímia dançarina, esse é um de seus talentos. Acredito que seria uma excelente companhia em bailes, pois adora dançar, e tem sempre um largo sorriso no rosto. Quem não apreciaria uma companhia dessas?

Outra característica muito louvável de sua personalidade, ela é extremamente vaidosa, se arruma para assistir as aulas online, como se estivesse indo para as aulas presenciais ou para um passeio. Procuramos sempre valorizar essa sua característica, pois além de trabalharmos a autoestima dela, também entendemos que somos importantes para ela, e portanto, merecemos sua melhor imagem, a imagem de alguém que conhece seu verdadeiro valor.